Don Carleone (parte 02)

epo02

Chegando lá, uma boa notícia. Já estava no número 34. Era só eu andar mais alguns metros que chegaria na loja. Andei um pouco… Próximo número: 54. Não era possível. Não havia NENHUM número 44, nem uma loja chamada Espaço 44. Era o 34, parede, 54.

Por um momento pensei que fosse pra eu ficar entre os dois e esperar pela Poliana. E Espaço 44 poderia ser apenas uma senha, referindo-se ao lugar que estávamos, o espaço entre o 34 e o 54. Que só nós dois soubéssemos. Eu falaria, ela me daria a placa, eu o dinheiro e os dois iriam embora, sem olhar um para a cara do outro. Mas resolvi perguntar do tal número perdido, falando todas as informações do lugar que tinham me passado. Apontaram pro outro lado da rua. Lá realmente tinha um shopping, escondido, como se fosse num subsolo. Ainda assim não fazia sentido o número par do outro lado da rua, mas enfim.

Entrando no lugar, me assusto com o contraste. Shopping lindo! Sim, totalmente oposto ao mercadão de fora, parecia que eu tinha entrado num mundo paralelo. Por sorte, achei fácil a loja. Mas havia algo de estranho.
ESPAÇO 44 – MODA MASCULINA E FEMININA.

Neste momento, questionei minha memória, e fiquei me culpando por não ter anotado os nomes e números. Como eu poderia comprar uma peça de computador numa loja de roupas? Mas, destinado a não desistir, entrei na loja. A vendedora veio me atender logo que entrei, sorrindo:

- Olá, posso ajudar?

- Então, estou procurando pela Poliana… Ela está?

- Ai, acabou de sair… Seria só com ela?

- Então, acho que sim… É que eu vim buscar uma encomenda com ela.

Nesse momento, ocorreu algo mágico. A cara da vendedora sorridente e atenciosa mudou, dando lugar a uma expressão de mistério, ainda tentando sorrir. Ela então perguntou:

- Qual é seu nome? – num tom de “qual é a senha?”

- Hã… Carlos.

Nisso, outro momento mágico. A expressão mudou novamente. Agora ela me olhava sorrindo, com um ar de “ah, era você mesmo que nós aguardávamos…” e disse:

- É… Eu tenho um pacote aqui pra você.

Ela foi até uma prateleira, e tirou uma sacola de trás de uma pilha de camisetas femininas. Colocou-a em cima do balcão.

Dentro da sacola havia uma caixa embalada com papel sarja, escrito apenas meu nome. Ela me deu um estilete na mão.

- Pode conferir a mercadoria. Veja se está tudo certinho.

Abri a caixa, ainda com receio. Tudo OK.

Tirei o dinheiro da meia. Dei a ela. E lembrei que tinha parado o carro no estacionamento (que não aceitava cartão), e que só tinha levado a quantia exata de dinheiro pra pagar a placa. Resolvi arriscar:

- Moça… Será que não dá pra passar uns 10 reais no cartão?

- Olha, não, porque…

- Não… Não precisa explicar. Vou procurar um caixa eletrônico no shopping.

Peguei minha placa, a embalei de novo, e saí com ela debaixo do braço, olhando assustado pra todo lado, como que procurando um sujeito de sobretudo preto e chapéu me seguindo.

Mas ele deve ter ficado me esperando entre o número 34 e o 54, pois não vi ninguém.

Um comentário para “Don Carleone (parte 02)”

  1. Ana Paula Says:
    November 3rd, 2009 at 11:12 am

    Vc devia ter dito a ela: “meu amor…” hauhauhuahua
    só rindo mesmo, viu!!

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